terça-feira, 30 de junho de 2009

DOCE COTIDIANO


Adoro acordar e ir até a cozinha, pois sei que vai estar lá de meias três quartos coloridas(fora de moda), socada em minha blusa que fica bem grande em você parecendo um vestido de mangas muito longas. A mesa estará posta e você com um sorriso sonolento, dirá igual a todos os dias:
-Bom dia alegria, alegria.
E vou olhar em seus olhos sem maquiagem, bonitos do mesmo jeito e com um meio sorriso sincero vou responder:
-Bom dia minha alegria.
Na mesa sempre dois pãezinhos torrados, o meu café quase sem açúcar e seu café com leite numa xícara que você segura com as duas mãos. E o que a gente mais quer e realmente precisa, é ficar ali, eu viajando nas suas histórias e sorrisos tão doces que nem ligo pro gosto do café. E o que a gente mais quer e realmente precisa, é ficar ali, você admirando toda minha filosofia barata contada com voz firme, como se eu fosse o sábio que não sou. Mas aí chega à hora da minha menina de sorriso doce vestir seu All Star, calça, blusa e jaleco tudo bem branquinho e partir para seu estagio na clinica de odontologia. E aí chega à hora e colo meus óculos de armação grossa, minha camiseta sem estampa, a calça meio velha que não te agrada e minha camisa de flanela que me deixa “tiozão” e parto para o meu estagio no jornal da região. Daí, espero o dia inteiro pra gente jantar, lavar a louça juntos, queimar o nosso tempo vendo um pouco de TV, escovar os dentes e por fim fazer travessuras em baixo dos lençóis. E quando deito minha cabeça no travesseiro, fecho meus olhos já posso vê-la novamente segurando a xícara com as duas mãos.

sábado, 27 de junho de 2009

Passou pela minha cabeça após um cafezinho

· O ser humano é a pior invenção de um grande gênio.
· O Brasil é uma grande piada e eu amo demais essa piada.
· Pau que nasce torto pra Esquerda nunca se inDireita.
Obs.1: Poucas pessoas entenderão essa piada.
Obs.2: Poucas (nenhuma) pessoas que entenderem essa piada acharão graça.
· Algumas pessoas olham para outras e encontram diferenças. Eu busco diferenças e encontro pessoas.
· Não se esforce para não ser notado ou para ser esquecido. As pessoas vão se lembrar de um homem solitário.
· O homem que quebra seus conceitos é uma nada. Hoje quero ser um nada.
· Tenho tentado manter intacta a fina película entra a sanidade e a insanidade. Não tem sido fácil.
· Notei que em minha cidade, o fluxo de carros vem aumentando. Isso me assusta.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Alguns mortais brilham um pouco mais

Alguns disseram mal, outros disseram bem, outros disseram muito, alguns disseram pouco e houve os que não disseram nada, só ouviram-no. Entretanto só ele foi O Rei do Pop.

Eu queria ter um lugar onde eu pudesse criar tudo o que eu nunca tive na minha infância.”

Michael Jackson 1958-2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Palavras que perduram

Esse post é do meu blog abandonado e achei uma boa ideia transferi-lo pro novo.
Bem ruim, mas que eu gosto dele.





Polegar opositor = Inteligência?

Ouvi dizer que feliz é o rico e que infeliz é o pobre, bobeira. Acredito que só é impossível a partir do momento que você acredita não ser mais possível. Já cheguei a acreditar no incrível e fingi não acreditar no que estava na minha frente, no que era crível. Ontem eu era um cara irresponsável, hoje eu sou qualquer coisa, menos responsável. Quando era pequeno pensava que podia tudo, que tudo era infinito, mas descobri que só o pensar não é finito.Até hoje o perfume daquela garota, que disse que minha alegria é perturbada, é inconfundível e os odores das outras garotas que nunca me observaram afundo, são bem confundíveis ainda mais depois do comercial do O Boticário, aquele com o poema da rotina. Eu sou um mero mortal e o Deus em quem acredito é imortal, talvez devesse ter começado o texto com esse período, porém acho que Ele não liga pra isso, pelo menos Ele não disse nada, aliás, Ele nunca diz nada. Antes eu era imutável achava que se não fosse, seria uma cara sem opinião formada, agora sou mutável e sei que você só é um “sem opinião” se for constantemente “mutável inconstante”. Às vezes acho que quando agimos inconscientemente, não estamos sendo conscientes de que estamos sendo nós mesmos, isso conscientemente falando.Quando uma pessoa se torna independente as coisas vão ficando bem mais difíceis, entretanto os jovens só percebem isso quando é tarde demais para voltarem a ser dependentes de seus pais ou responsáveis. Alguns destes mesmos jovens não percebem o quanto são imaturos e saem por ai bebendo, dirigindo em alta velocidade e correndo vários outro perigos, muitas vezes botando em risco a própria vida, e pior a vida de que realmente é maturo. Até hoje acho algumas coisas incompreensíveis, como o porquê de os direitos humanos serem tão compreensíveis com alguns lixos que vão pra cadeia. Uma coisa intolerante é ver que um homem que paga seus impostos e não tem retorno nenhum, é completamente tolerante com essa situação.
Agora depois de tantas palavras opostas gostaria de saber uma coisa, se nós Homens criados por um deus imortal, possuidores de um encéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor e e com fechamento da mão em forma de pinça. Nós seres humanos que somos responsáveis por tanta fome, violência, morte, guerra, poluição e todos os outros substantivos que seguirem essa mesma ordem funesta, somos animais dotados de inteligência os outros animais são dotados de “teligência”?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Poetas inteiros, não meio poetas



Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto

Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia "Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.

Fonte:http://www.releituras.com/joaocabral_malamados.asp




segunda-feira, 15 de junho de 2009

Enjoo da beleza


Não se seja bonita seja interessante
Faça-me desracionalizar com um sorriso delirante
Mas por cada grão de areia nessa terra
Torne o meu dia em algo mais relevante

Na primeira conversa você pode ser arrogante
Valerá muito a pena pela excentricidade
Mas por cada gota d’água no oceano
Seja interessante, diga um palavrão ou minta sua idade

Não seja o Sol aquecendo o Universo
Seja um universo, seja o Universo
Talvez assim te de um poema e não um único verso

Seja interessante e a verdadeira beleza chegará
Pois se eu quisesse só um beijo ou uma mulher nua
Pagaria uma qualquer numa esquina, na rua à luz da lua

domingo, 14 de junho de 2009

Aí vou Eu

Muito prazer e bem vindos ao meu blog. Meu nome é Rafael e vivo me iludindo achando que o que escrevo é bom. Quero aqui compartilhar ou talvez despertar algumas idéias em vocês. Acredito também que com um blog posso aprender e ensinar. E assim vamos fazendo essa troca. Pelo menos é o que espero. Aí vai minha primeira postagem divirtam-se.



Identifique-se



Um dia fui parado por uma viatura, um policial desceu caminhou até meu carro e disse:
- Desce do carro.
Desci e ouvi:
-Identidade, por favor.
-Só um minuto.
Comecei a procurá-la no fundo onde não mexia há muito tempo. Não achei logo expliquei a ele:
- Então senhor policial... Tenho aqui RG, CPF e CNH. O RG tem minha digital, bem grandona olha só o tamanho dos meus dedos - mostrei os polegares. Tenho dois cartões de banco diferentes um deles cheio de vantagens e também um talão de cheques. Tenho carteirinha do SESC com uma imagem associada à cultura. E tenho várias outras coisas com meu nome, assinatura, foto 3x4 ou essa digital grandona. -mostrei os polegares de novo.
Olhei para o rosto do policial com um olhar vazio, não mais vazio que minhas memórias e estas não mais vazias que meu peito e conclui:


-Tenho tudo isso, mas identidade? Eu perdi a minha.